Os cubanos que vivem em Havana estão passando por um momento crítico. A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, mãe solo de um menino de 9 anos, descreve a situação como a “pior que já vivemos”. Desde o final de janeiro deste ano, o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos intensificou as dificuldades enfrentadas pela população.
Os apagões, que antes eram programados, tornaram-se imprevisíveis e mais longos. Ivón relata que “antes havia cerca de quatro horas sem luz por dia, mas agora isso aumentou para 12 horas”. O economista aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos, concorda que este é o momento mais difícil que Cuba já enfrentou, superando até mesmo a década de 1990, conhecida como “período especial”.
A crise energética afeta não apenas o fornecimento de eletricidade, mas também serviços essenciais como água, telefonia e internet. Ivón explica: “Quando não há eletricidade, os caixas eletrônicos não funcionam e os cartórios não conseguem atender”. Além disso, o aumento acelerado dos preços de produtos básicos tem tornado a vida ainda mais difícil. “Alimentos como arroz e óleo ficaram muito mais caros nas últimas semanas”, acrescenta.
Com cerca de 80% da energia de Cuba gerada por termelétricas, a nova política dos EUA limita a compra de petróleo, exacerbando a crise. Feliz Jorge observa que, ao contrário do passado, muitos jovens hoje não conhecem os avanços sociais que a revolução trouxe, o que torna a situação ainda mais complexa.
A escassez de transporte público e o aumento dos preços de transporte privado limitam ainda mais a mobilidade da população. Ivón destaca que “o transporte público já estava em dificuldades, e agora, devido à falta de combustível, está ainda mais reduzido”.
A crise de saúde também é uma preocupação crescente, já que a falta de energia impacta o acesso a medicamentos e serviços médicos. Ivón menciona que muitas consultas foram canceladas, priorizando apenas atendimentos de emergência. “As pessoas ainda buscam cuidados, mas a situação está se tornando insustentável”, afirma.
Apesar da adversidade, os cubanos mantêm acesso à educação e cultura. Ivón compartilha que seu filho continua a frequentar aulas de música gratuitas, destacando a importância das iniciativas do Estado para proporcionar oportunidades. Contudo, a insatisfação entre os jovens está crescendo, e muitos sonham em emigrar.
Para Ivón, a política dos EUA não conseguirá seu objetivo de mudança de regime, pois a prioridade dos cubanos é a sobrevivência diária. “Não vejo manifestações nas ruas; o foco é garantir comida para a família”, conclui.
O endurecimento do bloqueio, que já dura 66 anos, é considerado pelo governo cubano como uma política “genocida”, que busca restringir a subsistência do povo. A situação em Cuba continua a ser um tema delicado e complexo, com desafios que se acumulam em meio a um cenário global em constante mudança.










