O Sudeste Asiático, que inclui países como Tailândia, Camboja, Vietnã e Mianmar, se tornou um foco crescente de tráfico de cidadãos brasileiros para exploração laboral. O Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, emitiu um alerta a respeito, destacando a elaboração de uma cartilha para orientar os brasileiros sobre como identificar riscos e buscar repatriação em situações de emergência.
A maioria dos brasileiros aliciados são jovens com conhecimentos em informática, que são atraídos por meio de redes sociais com promessas de empregos em call centers e empresas de tecnologia. Ofertas de salários sedutores, comissões por vendas e benefícios como passagens aéreas e hospedagem são frequentemente utilizadas como iscas para atrair as vítimas.
Países como Camboja e Mianmar, este último em meio a uma grave guerra civil, são considerados os destinos mais perigosos para esses golpes. Após chegarem, as vítimas enfrentam jornadas de trabalho extenuantes, privação de liberdade e abusos, muitas vezes forçadas a participar de atividades ilícitas, incluindo fraudes e esquemas de jogos de azar.
O Itamaraty alerta que, mesmo após a liberação, os brasileiros podem encontrar dificuldades para retornar ao Brasil, especialmente se estiverem com o visto vencido. A recomendação é não aceitar ofertas de trabalho que prometem ganhos elevados e contratação rápida, evitando assim se tornarem vítimas de tráfico humano.
No ano passado, dois brasileiros conseguiram escapar de uma quadrilha em Mianmar após aceitarem uma oferta de trabalho atraente. Eles tiveram seus passaportes confiscados e foram submetidos a condições desumanas, mas conseguiram fugir e receberam assistência consular.
A cartilha destaca que o Estado brasileiro geralmente não tem a obrigação de custear o retorno de brasileiros no exterior, exceto em situações específicas de vulnerabilidade. Em casos excepcionais, é necessária a apresentação de uma declaração de hipossuficiência econômica e a repatriação será para o primeiro ponto de entrada no Brasil.
O Sudeste Asiático conta com embaixadas brasileiras na Tailândia, Camboja e Mianmar, e os cidadãos devem se apresentar pessoalmente em situações de tráfico humano ou emergências. O Itamaraty reitera a importância de buscar ajuda consular em casos de crises, violência ou outros tipos de emergências.










