Um levantamento do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), da Universidade de Syracuse, aponta que 73% dos 68 mil imigrantes detidos nos Estados Unidos não têm antecedentes criminais. Esse dado, referente ao final de 2025, contradiz a narrativa do governo Trump, que afirma que o Serviço de Alfândega e Imigração (ICE) foca em criminosos que ameaçam a segurança pública.
O TRAC afirma que muitos dos detidos estão envolvidos em infrações menores, como delitos de trânsito. Por outro lado, o Conselho Americano de Imigração indica um aumento alarmante de 2.450% nas detenções de imigrantes sem antecedentes criminais desde a posse de Trump.
Recentemente, o influencer brasileiro Júnior Pena, conhecido por compartilhar experiências sobre a vida nos EUA, foi detido. Pena, que apoiava as políticas de imigração de Trump, foi preso por não comparecer a uma audiência de imigração, após entrar no país de forma irregular.
A ONG destaca que as detenções estão sendo usadas para pressionar imigrantes a aceitarem a deportação, com uma proporção alarmante de 14,3 deportações para cada liberação do ICE em novembro de 2025.
O aumento das prisões em massa, segundo o Conselho, cresceu 600% em comparação com anos anteriores. Além disso, as práticas de detenção se tornaram mais severas, dificultando o pagamento de fiança e resultando em 87% menos liberações discricionárias.
O professor James N. Green, da Universidade de Brown, alerta sobre as violações nos procedimentos de detenção, afirmando que juízes têm apontado irregularidades nas práticas do ICE. Ele ressalta que os imigrantes têm o direito de não se incriminar e que muitos desconhecem esse direito, o que aumenta a vulnerabilidade deles.
O relatório também destaca que empresas privadas de segurança têm lucrado com as políticas de detenção do ICE, que triplicou seu orçamento. Em novembro de 2025, 90% dos detidos estavam em instalações operadas por essas empresas.
Além disso, a qualidade dos centros de detenção tem piorado, com 30 mortes registradas sob custódia do ICE entre janeiro e dezembro de 2025, um número superior ao registrado durante a pandemia de covid-19.
Os imigrantes frequentemente são transferidos para centros de detenção em estados distantes, dificultando o acesso à justiça e a contestação de suas deportações, conforme relatado pelo Conselho Americano de Imigração.










