O ataque a uma escola de meninas no Irã, que matou 168 crianças, marca um ponto sombrio no início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no último sábado (28). Este evento trágico revela os horrores que a guerra pode trazer e seus devastadores impactos na vida de meninas e mulheres na região.
Um velório repleto de luto ocorreu na terça-feira (3), onde uma multidão vestida de preto se reuniu para prestar homenagem às vítimas. As imagens das valas abertas, com caixões enfileirados e milhares de pessoas em luto, se espalharam pelo mundo.
A socióloga Berenice Bento, da Universidade de Brasília, destaca que o ataque à escola demonstra que a guerra não está relacionada à promoção dos direitos humanos ou da democracia. As mulheres no Irã enfrentam restrições severas, incluindo a obrigatoriedade do uso do véu (hijab) e limitações na liberdade de movimento, necessitando de autorização de homens para viajar.
A jornalista Soraya Misleh, especialista em Estudos Árabes, enfatiza a luta contínua das mulheres iranianas por direitos, citando o movimento Mulher, Vida e Liberdade que surgiu após a morte de Mahsa Amini. “O povo iraniano deve decidir seu destino, não os EUA e Israel”, afirma Misleh.
Os avanços sociais no Irã, como o aumento na alfabetização feminina e a participação das mulheres nas universidades, contrastam com a realidade de um mercado de trabalho que ainda permanece fechado para elas. Apesar dos problemas do regime, a participação feminina nas universidades cresceu de 33% nos anos 1970 para cerca de 60% em 2000.
O ataque à escola de Minab foi amplamente condenado, com o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pedindo uma investigação rigorosa. Enquanto isso, EUA e Israel ainda não assumiram a responsabilidade. A Casa Branca anunciou uma investigação, enquanto Israel negou qualquer ligação com suas operações militares.
Berenice Bento menciona a Doutrina Dahiya do exército israelense, que defende a destruição em massa como estratégia. “Com o ataque à escola, a mensagem é clara: eles não deixarão pedra sobre pedra”, comenta.
O ataque a alvos civis, como escolas e hospitais, pode abrir caminho para novos crimes em outras regiões do Oriente Médio, conforme avalia Soraya Misleh. A necessidade, segundo ela, não é de “salvação”, mas sim de apoio e solidariedade às mulheres da região.
Uma análise do New York Times sugere que o ataque foi resultado de um bombardeio direcionado, possivelmente um erro de alvo, dada a proximidade da escola com uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica.










