A Venezuela, um país com as maiores reservas de petróleo do mundo, tem enfrentado um colapso econômico severo, em grande parte devido às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. Essas sanções, conhecidas como Medidas Coercitivas Unilaterais, visam promover mudanças políticas e são justificadas sob a alegação de proteção dos direitos humanos e combate ao narcotráfico.
A economista Juliane Furno, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, explica que o objetivo das sanções é “asfixiar experiências políticas que fogem ao controle dos países imperialistas”, gerando descontentamento social e, potencialmente, uma mudança de regime.
O bloqueio financeiro e comercial imposto à Venezuela afetou gravemente sua indústria petrolífera, dificultou o refinanciamento de sua dívida e congelou ativos no exterior. Países como Portugal e Reino Unido também adotaram medidas semelhantes, confiscando ativos venezuelanos, como o ouro guardado pelo Banco Central da Inglaterra, avaliado em US$ 1,2 bilhões.
A crise econômica, que se intensificou entre 2013 e 2022, resultou em uma recessão de 75% do PIB e na imigração de mais de 7,5 milhões de venezuelanos, o que representa cerca de 20% da população do país. Embora a recessão tenha começado em 2014, as sanções mais abrangentes foram introduzidas em 2017, restringindo ainda mais o acesso da Venezuela ao mercado financeiro.
O economista Francisco Rodríguez, da Universidade de Denver, reconhece que a gestão interna do país contribuiu para a crise, mas argumenta que as sanções foram cruciais para intensificar os problemas econômicos. Segundo ele, as sanções afetaram as receitas do petróleo, essenciais para a importação de bens e serviços.
O impacto das sanções é evidente na retração do setor petrolífero, que viu sua produção cair drasticamente após a imposição das medidas. Em 2018, o setor encolheu em 30,1%, resultando em uma perda estimada de US$ 8,4 bilhões em divisas necessárias para importações.
A inflação, que se tornou hiperinflacionária a partir de dezembro de 2017, também foi alimentada pela crise econômica e pelas sanções. O estudo do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas sugere que a perda de receitas devido ao bloqueio foi um fator determinante para a aceleração da inflação.
Com a mudança na administração dos EUA e o relaxamento de algumas sanções em 2022, a economia venezuelana começou a mostrar sinais de recuperação. Dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe indicam um crescimento do PIB de 8,5% em 2024 e 6,5% em 2025.
As sanções, embora justificadas como uma estratégia para promover direitos humanos e democracia, têm causado um impacto profundo e duradouro na economia e na sociedade venezuelana, levantando questões sobre a eficácia e as consequências dessas medidas.










