O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos está no centro de uma série de protestos que tomaram as ruas do país após o assassinato da cidadã Renee Nicole Good por agentes da agência. O crime, ocorrido em 7 de janeiro, gerou indignação e mobilização social, com mais de mil manifestações registradas em diferentes estados.
A criação do ICE, em março de 2003, foi impulsionada pelo contexto pós-11 de setembro, unindo os antigos serviços de alfândega e imigração com o objetivo de combater a imigração ilegal. Desde a administração Trump, o orçamento do ICE triplicou, alcançando US$ 29,9 bilhões anuais, superando os gastos militares de muitos países.
Com um efetivo de 22 mil agentes — um aumento de 120% desde a posse de Trump — e investimentos de US$ 45 bilhões em centros de detenção, a agência tem se tornado uma das mais poderosas do governo. A meta de deportar 1 milhão de imigrantes sem documentos por ano é uma das prioridades da administração, em um país que abriga cerca de 14 milhões de indocumentados.
Contudo, os métodos utilizados pelo ICE para atingir essas metas têm gerado preocupações. Organizações de direitos humanos denunciam práticas agressivas, como a realização de operações com agentes mascarados e a detenção de pessoas em locais como escolas e igrejas. O professor James N. Green, da Universidade de Brown, afirma que a agência frequentemente ignora o devido processo legal, o que intensifica o temor nas comunidades afetadas.
A morte de Renee Good provocou uma onda de solidariedade em todo o país, com diversos grupos se mobilizando para proteger imigrantes. Green destaca que a reação da sociedade tem sido notável, com pessoas de diferentes origens se unindo em apoio aos indocumentados.
Enquanto isso, o ICE defende suas ações, afirmando que se concentra na deportação de criminosos e lamentando a interferência de manifestantes. No entanto, a crítica à atuação da agência tem crescido, sendo comparada a uma polícia política por especialistas, que alertam para a falta de supervisão e os riscos à democracia.
O debate sobre a atuação do ICE e suas implicações para os direitos humanos continua a se intensificar, refletindo um momento crucial na política de imigração dos Estados Unidos.










