O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste sábado (20) que a assinatura do aguardado acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, um bloco econômico que inclui Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, foi adiada para janeiro. A declaração foi feita durante a abertura da Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, onde Lula destacou o papel estratégico do acordo em um cenário global competitivo.
O presidente mencionou que a expectativa é que o acordo seja finalmente assinado em janeiro, apesar da resistência da França, que teme perder competitividade no setor agrícola. Lula afirmou: “Recebi ontem dos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu uma carta manifestando a expectativa de ver o acordo aprovado em janeiro.”
A assinatura estava inicialmente prevista para ocorrer durante a cúpula, mas a necessidade de mais tempo para discutir medidas de proteção agrícola levou ao adiamento. Lula ressaltou que o adiamento não se deve a uma oposição direta ao acordo, mas a questões internas da UE, principalmente envolvendo o governo italiano. Ele relatou uma conversa com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que se mostrou disposta a assinar o acordo no início de janeiro.
O acordo UE-Mercosul foi negociado ao longo de 26 anos e envolve um mercado de 722 milhões de habitantes, representando um PIB de US$ 22 trilhões. Quando assinado, será um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. Desde a apresentação dos termos gerais em 2019, as partes vêm trabalhando na elaboração dos textos finais para a assinatura.
No discurso, Lula também enfatizou a importância de ampliar as parcerias comerciais do Mercosul, citando negociações com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), a Índia, os Emirados Árabes Unidos, Canadá, Japão e Vietnã. Ele destacou a necessidade de aumentar o comércio regional entre os países latino-americanos, afirmando que o fluxo comercial intrarregional na América do Sul é muito abaixo do seu potencial.










