Joseph Kent, que ocupava o cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, decidiu renunciar na última terça-feira (17) em razão de sua discordância com a guerra no Irã, promovida pelo governo de Donald Trump em parceria com Israel. Segundo Kent, o Irã não é uma ameaça iminente aos Estados Unidos, e sua decisão foi motivada por pressões externas.
“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação, e é claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby”, declarou o ex-diretor, que esteve vinculado ao Escritório Nacional de Inteligência dos EUA (DNI).
Kent, veterano de guerra com 20 anos de serviço militar e 11 destacamentos no Oriente Médio, ressaltou que apoiou os valores que Trump defendeu em suas campanhas eleitorais, mas acredita que o atual mandato do presidente foi influenciado por altos funcionários israelenses e membros da mídia. “Essa câmara de eco foi usada para enganá-lo, fazendo-o acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente”, completou.
Além de sua renúncia, Kent compartilhou sua dor pessoal, mencionando a perda de sua esposa, Shannon Kent, em um atentado na Síria. “Não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano”, afirmou.
Por sua vez, a diretora do DNI, Tulsi Gabbard, já havia negado que o Irã estivesse construindo armas nucleares, contradizendo as alegações de Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Analistas alertam que a narrativa sobre armas nucleares poderia ser um pretexto para um possível mudança de regime no Irã, visando conter a oposição à política dos EUA e de Israel no Oriente Médio.










