Na última segunda-feira (2), o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, realizou uma coletiva de imprensa na Embaixada do Irã em Brasília, onde criticou a postura dos Estados Unidos e de Israel nas negociações nucleares. Segundo ele, os EUA não estão genuinamente interessados em alcançar um acordo nuclear com o Irã, utilizando as negociações como uma farsa para promover uma mudança de regime.
Nekounam afirmou que a reunião de especialistas sobre questões nucleares, agendada para acontecer em Viena, foi sabotada pelo “regime sionista e pelos EUA”. Ele enfatizou que o atual presidente dos EUA se considera “o rei do mundo”, e que a República Islâmica do Irã, ao longo de seus 47 anos de existência, tem buscado sua independência.
O embaixador também comentou sobre a recente troca de liderança no Irã, após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei. Ele garantiu que a defesa do país continua de forma “contínua, firme e poderosa” sob um Conselho Interino, afastando especulações sobre a descontinuidade do governo iraniano.
Além disso, Nekounam criticou a legitimidade dos EUA para “administrar o planeta”, referindo-se ao caso do financista Jeffrey Epstein, que tinha ligações com a elite política americana, incluindo o ex-presidente Trump. Para ele, as pessoas que desrespeitam a humanidade não deveriam ter o poder de governar.
Em relação à posição do Brasil no conflito, o embaixador expressou gratidão pela condenação do uso da força por parte de Israel e EUA, destacando a importância da soberania e integridade territorial. Ele defendeu o direito do Irã de atacar bases militares inimigas, afirmando que essas ações são legítimas em resposta a ataques sofridos.
A coletiva ocorre em um contexto de tensão crescente, com a troca de regime em Teerã e a pressão dos EUA e Israel, que acusam o Irã de desenvolver armas nucleares. Enquanto isso, o Irã reafirma que seu programa nuclear é voltado para fins pacíficos e se mostra aberto a inspeções internacionais.










