As sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos têm sido uma ferramenta central na política externa, impactando severamente economias como a do Irã e da Venezuela. Essas medidas visam pressionar governos considerados adversários, resultando em efeitos devastadores para a população.
No Irã, o acirramento das sanções, especialmente as aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU em 2025, está diretamente relacionado à desvalorização da moeda local, o rial, que perdeu 50% de seu valor. Além disso, a inflação oficial chegou a alarmantes 42% em 2025, contribuindo para a insatisfação social e protestos generalizados.
A economista Juliane Furno, da UERJ, destaca que as sanções dificultam a entrada de dólares no país, afetando diretamente a vida dos iranianos. Desde 1979, após a Revolução Iraniana, o Irã enfrenta uma série de restrições que bloqueiam ativos no exterior e proíbem transações financeiras, resultando em uma grave crise econômica.
O relatório da ONU sobre os impactos das sanções enfatiza que cerca de 50% do orçamento do governo depende das exportações de petróleo. Com as sanções reimpostas em 2019, as exportações de petróleo caíram drasticamente, de 2,5 milhões de barris por dia para menos de 500 mil, levando a um aumento significativo da pobreza e da desigualdade social.
Além disso, a inflação disparou, com os preços gerais subindo em 85% desde o retorno das sanções. A classe média iraniana tem sofrido com a diminuição de seu poder aquisitivo, e estudos mostram que as sanções resultaram em uma redução de até 17 pontos percentuais na classe média entre 2012 e 2019.
As sanções também prejudicam a saúde pública, com a interrupção de importações de medicamentos essenciais, causando aumentos de preços de até 300% em alguns casos. A falta de acesso a tratamentos adequados afeta milhões de iranianos, especialmente aqueles com doenças crônicas.
Embora os EUA justifiquem as sanções como uma medida necessária contra violações de direitos humanos e o desenvolvimento de armas nucleares, críticos argumentam que essas ações são mais sobre controlar a política regional do que sobre promover a democracia.
Os impactos econômicos das sanções têm sido comparados a guerras tradicionais, com estimativas de que causam cerca de 560 mil mortes por ano, destacando a necessidade de uma reavaliação das políticas internacionais em relação ao Irã e a outras nações afetadas.










