O Líbano se tornou um cenário de desespero e incerteza com o agravamento do conflito entre Israel e o grupo Hezbollah. Brasileiros que vivem na região relatam experiências angustiosas, enquanto milhares de pessoas enfrentam as ruas frias e chuvosas. Em menos de três semanas, o conflito resultou em mais de um milhão de deslocados, mil mortos e 2,5 mil feridos.
Atualmente, o Líbano abriga a maior comunidade brasileira no Oriente Médio, com cerca de 22 mil brasileiros vivendo no país, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores. Hussein Melhem, um libanês naturalizado brasileiro, descreve a terrorífica experiência de ouvir mísseis passando por seu prédio enquanto dormia em Tiro, no litoral sul do Líbano.
“Acordei assustada com a minha esposa me chamando. Era como um terremoto, e deixamos nossa casa apenas com algumas roupas,” conta Hussein, que agora vive em uma casa emprestada e teme não conseguir pagar aluguel em breve.
Aly Bawab, outro brasileiro-libanês, estava em Manaus e viajou ao Líbano para visitar familiares. Ele chegou no dia em que os ataques começaram e logo decidiu deixar o sul do país após testemunhar destruição ao seu redor. “É um constante bombardeio, sem horários. O medo é palpável, mas tentamos manter a calma por causa das crianças,” diz Aly.
A situação humanitária no sul do Líbano é alarmante. A historiadora Beatriz Bissio afirma que Israel está implementando uma estratégia de bombardeio semelhante à usada na Faixa de Gaza, resultando em aldeias devastadas e colheitas interrompidas. “O sofrimento é indescritível, mas a resiliência da população também é notável,” conclui Beatriz.
Desde o início do conflito, a Força de Defesa de Israel (FDI) alegou ter atingido 2 mil alvos no Líbano, enquanto o Hezbollah continua realizando ataques em retaliação. O impacto humano é catastrófico, e muitos brasileiros enfrentam a dura realidade de um país em guerra, lutando para sobreviver e encontrar segurança em meio ao caos.










