A crescente resistência da República Islâmica do Irã e suas ações retaliatórias contra aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico estão levando a Casa Branca a repensar sua postura em relação ao conflito. Especialistas apontam que a expectativa de uma rápida mudança de regime em Teerã não se concretizou, levantando preocupações sobre o impacto no comércio de petróleo e a segurança regional.
O cientista político Ali Ramos destacou que o Irã conseguiu comprometer o sistema de radares dos EUA no Oriente Médio, resultando em perdas significativas na cadeia de suprimento de petróleo global. Os radares, fundamentais para a interceptação de mísseis iranianos, foram afetados em países como Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, como revelado por análises de imagens de satélite.
Os aliados dos EUA na região, como o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, estão clamando pelo fim do conflito. Ele argumentou que a chegada a uma mesa de negociações e a suspensão dos ataques beneficiariam a paz e a estabilidade econômica global.
O professor de relações internacionais do Ibmec São Paulo, Alexandre Pires, observou que os EUA inicialmente esperavam uma rápida mudança de regime após o assassinato do líder supremo Ali Khamenei. No entanto, a resiliência do Irã superou as expectativas, com o regime mantendo a mesma linha de liderança.
Além disso, a pressão sobre os preços do petróleo levou Trump a considerar a flexibilização das sanções contra a Rússia, em um esforço para acalmar os mercados e atender às preocupações internas sobre os preços dos combustíveis nos EUA.
Israel, por sua vez, pode resistir a encerrar o conflito, buscando maximizar sua vantagem contra o Irã. Pires apontou para um possível desentendimento entre os aliados, com mensagens contraditórias surgindo. O Irã, ao bloquear o canal comercial do Golfo Pérsico, está exercendo pressão sobre a negociação entre EUA e Israel.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que o país não busca uma guerra interminável e que consultará seus aliados americanos no momento adequado.
A dificuldade em encerrar a guerra, segundo Ali Ramos, reside no fato de que a manutenção do regime iraniano seria vista como uma derrota para os EUA. O Irã se tornaria o primeiro país a atacar simultaneamente várias bases dos EUA e ainda assim sobreviver, o que poderá afetar a confiança de outras nações na garantia de segurança oferecida por Washington.
Ramos também sugere que a guerra poderia alterar a arquitetura de poder no Oriente Médio, evidenciando a incapacidade das bases dos EUA em proteger seus aliados, levando países como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita a buscar novos pactos de defesa.










