O governo brasileiro está otimista com a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), prevista para o próximo sábado, dia 20, durante a 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados. No entanto, segundo a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Gisela Padovan, as salvaguardas exigidas pelo bloco europeu geram preocupações.
Durante uma coletiva de imprensa, Padovan afirmou: “Nossa expectativa é assinar o acordo no sábado, mas, de fato, as salvaguardas são motivo de preocupação.” O evento contará com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e será uma oportunidade crucial para ambos os blocos.
No dia anterior à cúpula, ocorrerá uma reunião entre os ministros das áreas econômicas do Mercosul, onde serão discutidos temas como a entrada da Bolívia como novo membro e questões relacionadas às mudanças climáticas.
Padovan enfatizou que o Brasil está empenhado em integrar a Bolívia ao Mercosul e que as conversas com a República Dominicana estão avançando. Além disso, o Brasil busca a inclusão de setores como o automotivo e açucareiro na Tarifa Externa Comum do bloco.
As salvaguardas, que visam proteger o mercado europeu dos produtos do Mercosul, têm gerado resistência, especialmente da França, que argumenta que o acordo não atende a exigências ambientais. Agricultores europeus já expressaram preocupações sobre a possibilidade de importações de commodities sul-americanas que não atendem aos padrões de segurança alimentar da UE.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia está em negociação há 26 anos. A secretária do Itamaraty destacou que a UE representa um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões. O acordo, que foi finalizado em dezembro passado, ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos parlamentos dos países do Mercosul para entrar em vigor.










