O governo brasileiro voltou a expressar sua condenação à ação armada dos Estados Unidos na Venezuela, incluindo o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, ocorrido no último sábado (3). Durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador Sérgio França Danese afirmou que a paz na América do Sul está ameaçada.
Danese destacou que intervenções armadas anteriores no continente resultaram em regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes e desaparecimentos forçados. “O uso da força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter superado e coloca em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz”, declarou.
O embaixador classificou a ação dos EUA como uma “linha inaceitável” do ponto de vista do direito internacional, afirmando que viola normas fundamentais da ONU. Segundo ele, “a proibição do uso da força é um pilar da ordem internacional” e não pode ser justificada pela exploração de recursos naturais.
Ele ressaltou que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo seu povo, através do diálogo e sem interferência externa. “Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, acrescentou.
Outros países da América do Sul, como Colômbia e Cuba, também condenaram as ações dos EUA. A embaixadora colombiana, Leonor Zalabata Torres, afirmou que não existe justificativa para o uso unilateral da força e alertou sobre os impactos humanitários da crise. Já o embaixador cubano, Ernesto Soberón Guzmán, acusou os EUA de buscarem o controle dos recursos naturais da Venezuela.
Por outro lado, a Argentina foi um dos poucos países a apoiar a ação militar dos Estados Unidos, considerando-a um passo decisivo no combate ao narcoterrorismo e uma oportunidade para restaurar a democracia na Venezuela.










