O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, declarou que a derrubada do regime islâmico por forças militares estrangeiras seria uma tarefa “hercúlea e sangrenta”. Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, Veras ressaltou que apenas ataques aéreos não seriam suficientes para promover uma mudança significativa no Irã. “Não haveria uma possibilidade de mudança [do regime iraniano] ou de algum fim deste conflito se fôssemos pensar apenas da perspectiva de ataques [exclusivamente] aéreos”, explicou.
Veras destacou as dificuldades que tropas estrangeiras enfrentariam em uma possível incursão terrestre, citando o terreno montanhoso do Irã e a capacidade militar do país. “Aqui, a coisa vai exigir um pouco mais de esforço se quiserem, realmente, derrubar o regime. E acho que será uma tarefa hercúlea. Sangrenta”, afirmou.
Após os primeiros ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei e de centenas de civis, a infraestrutura do Irã mostrou-se resiliente. Serviços básicos, como abastecimento de água e gás, continuam funcionando, e a população mantém sua rotina. “O comércio está aberto. As escolas estão tendo aulas remotamente”, comentou Veras.
Outro ponto destacado pelo embaixador foi a rápida substituição de Khamenei por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, evidenciando a solidez institucional do Irã. “O Irã está muito bem estruturado legalmente. E o sistema tem uma resiliência muito grande”, avaliou.
Contudo, a escolha de Seyyed pode intensificar as críticas internas ao regime, que enfrenta protestos contra o aumento do custo de vida e repressão política. Veras comentou que a nomeação do filho pode dar a impressão de continuidade de um sistema que muitos desejam ver mudado.
Apesar das tensões, o embaixador não descarta uma solução diplomática. Ele acredita que o fim das sanções econômicas é crucial tanto para o Irã quanto para a estabilidade econômica global. “Acho que isto trará um pouco mais de racionalidade à condução do processo”, concluiu Veras.










